Prefácio
 

 A evolução do sistema bancário mudou a maneira como guardamos, movimentamos e gastamos o nosso dinheiro. Desde o seu surgimento, no século XIV, o sector bancário foi contribuindo para o crescimento do sistema financeiro global e facilitando o comércio internacional. O Banco Central de Moçambique, sendo o regulador dos bancos no nosso país, tem a tarefa de garantir que estes tenham um bom desempenho e permaneçam viáveis e que o sector bancário se mantenha estável.

Aquele que é hoje conhecido como Absa Bank Moçambique, é uma das mais antigas instituições financeiras do país, tendo sido fundado em 1975. Durante este período temos assistido a grandes evoluções no mercado nacional. Nos últimos anos, em particular, tem havido uma mudança significativa em direcção às práticas bancárias formais, à medida que mais pessoas vão percebendo a facilidade e a vantagem de ter o seu dinheiro num banco. O cliente bancário de hoje tem uma grande variedade de opções, tanto em termos de bancos disponíveis como quanto aos produtos e serviços oferecidos, que vão desde produtos de poupança em que poderão auferir de juros sobre depósitos até ao acesso a facilidades de crédito ou operações financeiras como pagamentos digitais.

Os avanços observados no sector financeiro têm vindo a fazer com que os produtos e serviços se estejam a tornar cada vez mais complexos, exigindo que o consumidor se torne um participante activo na relação com os bancos. Os provedores de serviços financeiros precisam de capacitar os  consumidores através do fornecimento de informações. Um consumidor informado é aquele que consegue escolher e utilizar os serviços financeiros de valor para si, permitindo maior controlo e uma melhoria do seu bem-estar financeiro.

De facto, não é suficiente saber que produtos ou serviços estão disponíveis, é igualmente importante compreendêlos totalmente e adequar a relevância para as suas necessidades a cada momento do tempo, conjugando objectivos de curto e longo prazo, e melhorando a sua capacidade para poupar e investir.

Da mesma forma, é crucial que os clientes bancários compreendam os seus direitos e responsabilidades na relação com os bancos no acesso aos serviços e Produtos financeiros.

Como acontece em qualquer progresso, não devemos esquecer as nossas responsabilidades: os bancos têm um dever para com a comunidade em geral e devem ser justos nas suas negociações, enquanto que os seus clientes devem ser utilizadores responsáveis dos serviços financeiros, o que inclui garantir que o crédito recebido será reembolsado ou que farão a utilização correcta de cheques. No centro da interacção entre bancos e os seus clientes está uma relação de confiança mútua, que frequentemente constitui uma relação para toda a vida, e que precisa de ser constantemente cultivada.

Embora a informação financeira esteja cada vez mais disseminada, continua a haver uma necessidade constante de disponibilizar informação acessível mas rigorosa sobre o funcionamento do sistema financeiro. E foi a pensar nisso, que o Absa decidiu preparar este manual de referência para disponibilizar de forma massiva a toda a população.

Esperamos com este manual contribuir uma vez mais para a promoção do conhecimento básico sobre serviços bancários, e algumas curiosidades relacionadas, para deixar o leitor mais capacitado para fazer a sua gestão financeira e confiante para construir uma relação cada vez melhor com o seu banco.

Boa leitura!

Melhores cumprimentos

Rui Barros
Administrador Delegado
Absa Bank Moçambique

O Banco
  • Introdução aos Serviços Bancários
    Tente imaginar um mundo sem bancos.

    O sector bancário é uma indústria vital e os seus serviços tornaram-se uma necessidade nas nossas vidas diárias e neste mundo avançado. Com as economias a desenvolverem-se a um ritmo acelerado, os bancos precisam de acompanhar o rápido desenvolvimento e as necessidades das suas comunidades.

    Vamos tirar um momento para definir um banco. Um banco é uma instituição financeira que aceita depósitos do público e cria crédito. Devido à sua importância na estabilidade financeira e no crescimento económico de um país, os bancos são altamente regulados na maioria dos países, incluindo em Moçambique.

    O serviço bancário também é o principal processo que cria e controla a oferta monetária do país. Este serviço satisfaz as necessidades de liquidez para as empresas e também ajuda famílias a investirem no futuro.

    O sector bancário em Moçambique é regulado pelo Banco de Moçambique.

    Sabia que?

    O serviço bancário começou com os primeiros bancos protótipos de mercadores do mundo antigo, que faziam empréstimos de grãos aos agricultores e comerciantes que transportavam mercadorias entre as cidades. Este sistema é conhecido como o sistema de troca.
    Isto começou por volta de 2000 AC na Assíria e na Babilónia. Mais tarde, na Grécia antiga e durante o Império Romano, os credores baseados nos templos faziam empréstimos e tinham acrescentado duas inovações importantes: aceitavam depósitos e trocavam dinheiro. A arqueologia deste período na China e na Índia antigas também mostra evidências de actividade de empréstimo de dinheiro.

  • Como funcionam os bancos?

    A confiança é uma componente essencial da relação entre um banco e um Cliente. Os Clientes confiam na segurança oferecida pela instituição e na segurança de manter o seu dinheiro numa conta bancária, em vez de o guardar em casa, em baixo do colchão. Isto tem a vantagem adicional de remover a tentação de gastar o dinheiro que guarda em casa.

    Outra vantagem dos bancos é a conveniência associada a eles.

    Portanto, nós confiamos no nosso banco para manter o nosso dinheiro seguro. Da mesma forma, o nosso banco também precisa de fazer dinheiro e fá-lo emprestando dinheiro a taxas mais altas do que o custo do dinheiro que emprestam. Isto é conhecido como um empréstimo.

    Os bancos usam o dinheiro que depositamos para fazer empréstimos. Em termos simples, podemos dizer que o valor dos juros que os bancos cobram sobre os empréstimos é maior do que o valor dos juros que pagam aos Clientes nas contas-poupança.

    Curiosidade

    As origens do sistema bancário moderno remontam à Itália medieval e ao início do Renascimento, às cidades ricas do Centro e do Norte, como Florença, Lucca, Siena, Veneza e Génova. As famílias Bardi e Peruzzi dominavam o sector bancário em Florença no século XIV, estabelecendo agências em muitas outras partes da Europa. Um dos bancos italianos mais famosos foi o Banco Medici, fundado por Giovanni di Bicci de’ Medici em 1397. O primeiro banco estatal de depósito conhecido, Banco di San Giorgio (Banco de São Jorge), foi fundado em 1407 em Génova, Itália.

  • Curiosidades sobre bancos
    • O nosso Banco, actualmente com a designação de Absa Bank Moçambique, foi fundado em 1975.
    • Para abrir os cofres do Banco da Inglaterra, é preciso uma chave com mais de 90cm de comprimento.
    • Os bancos no Norte da Itália oferecem empréstimos com garantia aos agricultores. A garantia usada é... queijo. O chefe do Credito Emiliano armazena o queijo parmesão por dois a três anos num armazém especial para o envelhecimento. Se o produtor de queijos não conseguir pagar o empréstimo até ao momento do amadurecimento do queijo, o banco vende o queijo e reembolsa as suas perdas.
    • As primeiras instituições a aceitar o armazenamento de dinheiro e objectos de valor foram os templos.Por exemplo, os habitantes da antiga Atenas guardavam as suas economias nos templos da Acrópole e os europeus medievais costumavam guardar dinheiro nos mosteiros.
  • Introdução aos empréstimos

    Os empréstimos referem-se ao empréstimo de dinheiro a uma parte por outra, a ser devolvido dentro de um prazo acordado e com juros. Você pode solicitar um empréstimo para várias coisas, por exemplo para um carro novo, para fazer renovações, para viajar, para estudar ou mesmo para comprar uma casa ou um terreno.

    O valor solicitado será então aprovado se o banco achar que o Cliente conseguirá pagar o valor de volta. Depois, a taxa de juros, a duração do empréstimo e os termos e condições adicionais do empréstimo são determinados.

    Como me qualifico para um empréstimo?

    • Tem de ter 21 anos ou mais;
    • Não deve, também, ter mais do que a idade de reforma, excepto se o valor de reforma for suficiente para fazer face ao pagamento das prestações, e o seguro de vida cubra a maturidade do financiamento;
    • Deve estar empregado por pelo menos 9 meses, a menos que o seu empregador já tenha antes confirmado a sua posição;
    • Deve, também, ganhar não menos do que o valor mínimo exigido pelo banco – após a dedução para segurança social e dedução fiscal – que pode mudar e pode variar dependendo do banco;
    • A qualificação para um empréstimo também dependerá do seu salário e das dívidas existentes e do registo de empréstimos anteriores.

    Quais são os requisitos para solicitar um empréstimo?

    • Tem de levar consigo uma cópia original de um documento de identidade válido ou passaporte e NUIT;
    • Um comprovativo de rendimento válido – um comprovativo de pagamento referindo o seu nome, empregador, data do salário, salário bruto e deduções e salário líquido;
    • Se for um Cliente novo, deverá fornecer extractos bancários dos últimos 6 meses;
    • Comprovativo do endereço residencial;
    • Uma cópia do seu contrato de trabalho;
    • Consentimento do cônjuge/parceiro no caso de um empréstimo conjunto;
    • Detalhes de contacto; 
    • Detalhes de duas testemunhas/fiadores, quando aplicável.
  • Tipos de empréstimos

    Com garantia 

    Um empréstimo com garantia é um empréstimo no qual o mutuário dá algum bem (por exemplo, um carro ou uma casa) como garantia. Exemplos de empréstimos com garantia são explicados em mais detalhes abaixo.

    Hipotecas

    Um empréstimo hipotecário é um tipo de empréstimo muito comum, usado por diversas pessoas para comprar imóveis residenciais. O banco normalmente empresta uma percentagem do valor da propriedade e o mutuário terá de contribuir com o valor restante. O credor, que normalmente é uma instituição financeira, recebe uma garantia – uma garantia sobre o título da propriedade – até que a hipoteca seja totalmente quitada. Se o mutuário não pagar o empréstimo, ou seja, se ele deixar de pagar o empréstimo conforme acordado, o banco tem o direito legal de reaver a posse da casa e vendê-la para recuperar os valores que lhe são devidos.

    Empréstimos automóveis

    Da mesma forma, um empréstimo contraído para comprar um carro pode ser garantido pelo próprio carro. 
    A duração do empréstimo é muito mais curta – geralmente correspondendo à vida útil do veículo. Assim como num Empréstimo Hipotecário, o banco normalmente empresta uma percentagem do valor do automóvel e o mutuário terá de contribuir com o valor restante.

    Empréstimos sem garantia

    Os empréstimos sem garantia são empréstimos monetários que não são garantidos pelos activos do mutuário. Estes podem estar disponíveis em instituições financeiras sob muitos produtos diferentes, como empréstimos pessoais.
    As taxas de juros para estes podem variar dependendo do banco.
    As taxas de juros dos empréstimos sem garantia são quase sempre mais altas do que as dos empréstimos com garantia devido à natureza do produto. Não hesite em entrar em contacto com o seu balcão para saber mais sobre as opções de empréstimo sem garantia.

    Como são calculadas as amortizações?

    O valor que o indivíduo deve pagar mensalmente é calculado com base no seguinte:

    • Salário e outros rendimentos fixos adicionais;
    • Idade - quanto mais jovem o Cliente for, para prazos mais longos poderá qualificar-se (aplica-se ao empréstimo à habitação);
    • Compromissos financeiros existentes;
    • Outras dívidas existentes;
    • Historial de empréstimos anteriores;
    • Montante do empréstimo;
    • Taxa de juros.

    Fórmula para a amortização mensal

    A amortização mensal fixa de um empréstimo é o valor pago pelo mutuário a cada mês, que garante que o empréstimo será pago integralmente com juros no fim do seu prazo. A fórmula da amortização mensal é baseada na fórmula de anuidade.

    Pode optar por uma amortização antecipada?

    Muitas pessoas optam por pagar os seus empréstimos o mais rápido possível, portanto, é uma opção – no entanto, para certos empréstimos nas em Moçambique, há certas taxas de amortização antecipada, então pergunte no seu balcão qual é a política em relação a amortizações antecipadas de empréstimos.

    O que é incumprimento e o que acontece quando os seus empréstimos não são pagos dentro do prazo?

    Frequentemente, há coisas que acontecem e circunstâncias que ocorrem que podem fazer com que você não consiga pagar os seus empréstimos a tempo. Se este for o caso, deve sempre entrar em contacto com o seu balcão o mais rápido possível. Em alguns casos, os bancos podem estar dispostos a renegociar os termos e as amortizações mensais.

Os cartões – cartões de crédito ou de débito – estão disponíveis para qualquer pessoa que tenha conta num banco. Estes são usados para levantar dinheiro facilmente na ATM em vez de fazer filas nas agências, bem como para facilitar os pagamentos nos Pontos de Venda (passando o seu cartão no caixa) ou pagamentos de comércio electrónico (pagamentos online).

A escolha de fazer pagamentos com cartão em vez de pagamentos em dinheiro está a tornar-se cada vez mais popular por ser muito mais segura do que andar com dinheiro vivo e por reduzir os custos de manusear dinheiro, bem como os riscos de fraude.
De certa forma, os cartões também são uma melhor forma de gerir o seu orçamento. Isto é possível usando os extractos electrónicos detalhados preparados a partir das compras feitas no cartão pelo mês inteiro.

Alguns bancos também oferecem alertas gratuitos através de SMS, que avisam sempre que uma compra é feita com o seu cartão. Muitos cartões também são aceites em todo o mundo, o que os torna a maneira mais conveniente e eficiente de ter acesso a dinheiro durante uma viagem.

  • Tipos de cartões

    Cartões de débito

    Os cartões de débito dão acesso rápido e fácil ao saldo da sua conta. Estes constituem uma maneira conveniente e segura de ter acesso ao dinheiro que está disponível na sua conta bancária e de o gastar.

    Cartões de crédito

    Um cartão de crédito permite fazer compras agora e pagar depois, sempre que um sinal VISA, Diners Club, Master Card, Maestro, AMEX ou UPI estiver disponível. Ao contrário dos cartões de débito, os cartões de crédito não estão ligados a nenhuma conta bancária responsável. Este permite que você gaste dinheiro usando um financiamento de crédito flexível. É uma forma rápida e conveniente de pagar por bens e serviços e, depois, os pagamentos são deduzidos na data de vencimento do pagamento.
    Existem diferentes tipos de cartões de crédito que determinam o valor máximo de crédito que pode usar, portanto, não hesite em perguntar no seu balcão sobre as respectivas ofertas.

    Como faço para solicitar um cartão de débito ou de crédito?

    Para a maioria dos bancos, os cartões de débito ou de crédito estão disponíveis para os  Clientes nas suas agências (sujeito às taxas aplicáveis).

    Os documentos normalmente exigidos para fazer o pedido são os seguintes:

    • Um formulário de pedido preenchido (disponível nas agências bancárias);
    • Prova de Identificação (documento de identidade ou passaporte válido);
    • Comprovativo de rendimento (para pedido de cartão de crédito).
  • Como faço para solicitar um cartão de débito ou de crédito?

    Para a maioria dos bancos, os cartões de débito ou de crédito estão disponíveis para os  Clientes nas suas agências (sujeito às taxas aplicáveis).

    Os documentos normalmente exigidos para fazer o pedido são os seguintes:

    • Um formulário de pedido preenchido (disponível nas agências bancárias);
    • Prova de Identificação (documento de identidade ou passaporte válido);
    • Comprovativo de rendimento (para pedido de cartão de crédito).

Subscrever a oferta de canais digitais do seu Banco é uma forma prática e segura de ter  acesso a diversos serviços, sem o inconveniente de ter de se deslocar a um balcão.
Hoje em dia, os bancos dispõem de uma grande variedade de canais digitais, que lhe permitem fazer praticamente tudo, a partir de um computador, telemóvel ou tablet:
transferências, pagamento de serviços, consulta de saldos, compra de crédito e Credelec e muito mais.

No caso específico do Absa Bank Moçambique, pode contar com a seguinte oferta de canais digitais:

  • Absa App
  • Absa Internet Banking
  • Absa Móvel Como faço para subscrever os canais digitais do Absa Moçambique?

Os procedimentos a seguir, para cada um dos canais digitais, são os seguintes:

 

Absa App

Procure Absa Moçambique
na sua App Store, baixe a app gratuitamente, faça o registo
e faça transacções.

 

Absa Móvel

Digite *443#, insira o seu PIN, siga as instruções e faça transacções.

 

Absa Internet Banking

Faça o login ou registe-se
e faça transacções.

 

Cuidando do meu futuro
  • O que é orçamentação?

    Orçamentação é o processo de criar um plano para gastar o seu dinheiro. Este plano de gastos é chamado de orçamento. A criação deste plano de gastos permite-lhe determinar com antecedência se terá dinheiro suficiente para fazer as coisas que precisa ou gostaria de fazer. Se não tiver dinheiro suficiente para fazer tudo o que gostaria de fazer, então poderá usar este processo de planeamento para priorizar os seus gastos e focar o seu dinheiro nas coisas que são mais importantes para si.

  • Por que a orçamentação é tão importante?

    Visto que a orçamentação lhe permite criar um plano de gastos para o seu dinheiro, esta garante que terá sempre dinheiro suficiente para as coisas de que precisa e que são importantes para si. Seguir um orçamento ou plano de gastos também lhe permitirá manter-se sem dívidas ou ajudá-lo-á a arranjar maneiras de se livrar delas, caso as tenha.

  • Como fazer um orçamento e criar um plano de gastos

    Para começar a sua lista orçamental, tem de calcular quanto gastará em:

    • Renda;
    • Hipotecas/empréstimos e outras dívidas;
    • Contas domésticas;
    • Despesas diárias;
    • Transporte (autocarro, combustível para o carro etc.);
    • Outras despesas, como seguro, arranjo do carro, contas de hospital;
    • Presentes para família e amigos;
    • Lazer como férias, restaurantes, desportos, ocasiões e eventos especiais etc.
  • Adicione o seu rendimento total

    O seu rendimento significa a quantidade total de dinheiro que ganha em cada mês depois de somar o seu salário, remunerações, benefícios mensais, horas extras, pensões e qualquer outro dinheiro adicional que possa estar a receber.

    Se estiver a gastar mais do que ganha, tem de descobrir onde pode reduzir.

    Isto pode ser tão fácil quanto fazer o seu almoço em casa ou cancelar uma inscrição num ginásio que não está a usar.

    Pode, também, manter um diário de gastos e tomar nota de tudo o que comprar num mês.

    Ou, se faz a maior parte dos seus gastos com um cartão de banco, consulte o extracto  bancário do mês anterior e descubra para onde o seu dinheiro está a ir.

  • Deduza o valor que gasta ou que previu gastar em cada item da sua lista

    Se sobrar dinheiro depois de pagar por tudo, significa que tem um “superavit orçamental”. É aconselhável guardar o seu dinheiro extra como poupança.

    Se estiver a gastar mais do que ganha, significa que tem um ‘déficit orçamental’ e que deve fazer um esforço para encontrar maneiras de cortar os seus gastos.

    Se puder, examine, também, o seu extracto bancário para identificar onde pode estar a gastar demais. Se estiver a usar um cartão de crédito ou de débito, será mais fácil de ver onde pode reduzir.

  • A regra 70/30 das finanças

    Uma forma eficaz de poupar dinheiro é a regra 70/30. Esta regra significa poupar ou investir 30% do seu rendimento e usar apenas 70% nas suas despesas.

     Portanto, as suas despesas mensais devem ser calculadas usando 70% do seu rendimento como referência.

    Se perceber que está a ultrapassar o seu limite dos 70%, pode ser um sinal de que precisa de começar a cortar despesas. No entanto, nos casos em que poupar 30% é demais, especialmente se estiver a pagar uma dívida extra, estabelecer pelo menos 20% de poupança por mês ainda deve fazer a diferença.

     À medida que se vai tornando mais independente financeiramente, pode até descobrir que deseja poupar, eventualmente, mais.

    A melhor maneira de garantir que as suas poupanças realmente cheguem à sua conta-poupança é pedir ao banco para fazer um débito mensal permanente do valor desejado na sua conta. Este é um processo simples que deve levar apenas alguns minutos a ser executado. Entre em contacto com o seu balcão para saber quais os procedimentos.

  • Como posso poupar para ocasiões especiais como casamentos ou férias?

    1. A primeira coisa a fazer é criar um orçamento – isso significa criar um plano de como gastar o seu dinheiro. Isto dar-lhe-á uma orientação ou ideia clara sobre quanto precisa de poupar mensalmente e quanto tempo precisa para poupar a quantia necessária;
    2. Comece – para tornar mais fácil a poupança, trate isto da mesma forma que trataria o pagamento de contas. Isto ajudá-lo-á a priorizar e a comprometer-se a poupar. Lembre-se de que quanto mais cedo começar a poupar, mais fácil se tornará;
    3. Precisa, também, de decidir onde deseja guardar o seu dinheiro. Abrir uma conta poupança pode ser o melhor caminho a seguir;
    4. Veja a sua conta poupança crescer – verifique o seu saldo regularmente e encontre maneiras criativas de se motivar a permanecer empenhado na causa.

    Há muitas maneiras de o fazer. Muitos pais optam por abrir uma conta poupança nos seus bancos assim que o filho nasce e começam a adicionar dinheiro à conta ao longo dos anos. No entanto, a criança não terá acesso a esta conta sem a aprovação signatária dos seus pais até que ela atinja os 18 anos de idade.

    Depois disso, pode decidir se quer manter a conta e continuar a adicionar assim que tiver um salário – começando, assim, a sua própria jornada de poupança.

    1. Ensinando o seu filho a poupar dinheiro

    Na escola, não aprendemos realmente sobre a importância de poupar, e muitos de nós descobrimos isso quando já somos adultos e temos de cuidar de nós mesmos.

    No entanto, há maneiras de capacitar a próxima geração e isso começa por ensinar as crianças a importância de poupar desde tenra idade.

    2. Comece com um cofrezinho

    Um cofrezinho pode ser uma óptima maneira de ensinar à sua criança a importância de poupar, enquanto lhe oferece uma maneira fácil de o fazer. Diga aos seus filhos que o objectivo é encher o cofrezinho de notas e moedas, até que não haja mais espaço. Diga-lhes que o cofrezinho serve para poupar dinheiro para o futuro e que quanto mais eles pouparem, mais o dinheiro deles crescerá.

    3. Abra uma conta bancária

    Quando o cofrezinho estiver cheio, leve a sua criança ao banco para abrir uma conta poupança para ela. Peça-lhe que conte quanto dinheiro será depositado, para que ela possa ter uma compreensão física de quanto dinheiro possui. Mostre-lhe a quantia final e reforce a ideia dos juros.

    Compreender que o dinheiro dela crescerá com o tempo, desde que não toque nele, pode ser uma grande fonte de motivação para a sua criança.

    4. Crie uma linha de tempo

    Quando criança, o conceito de dinheiro e tempo pode ser difícil de entender. Pesquisas mostraram que o impacto de uma lição financeira de uma hora desaparece após cerca de cinco meses. Para que a mensagem seja mantida, a educação sobre o dinheiro deve ser oportuna e contínua.

    Se sabe que a sua criança recebe 1000 Meticais a cada ano pelo aniversário, a altura para falar sobre orçamentação é logo antes de receber essa nota.


    Uma maneira de manter as lições sobre dinheiro é criar uma linha de tempo para que a sua criança possa visualizar quando vai alcançar o seu objectivo.


    Digamos que lhe dá 50 Meticais por semana e a criança quer poupar 1000 Meticais. Se ela tiver poupado cem por cento da sua semanada, alcançará a meta em vinte semanas, ou cerca de cinco meses.


    Comece por pegar num pedaço de papel longo e num marcador. Tenha zero Meticais de um lado e 1000 Meticais (ou qualquer que seja o valor da meta) do outro lado. Crie pontos de verificação no papel para quando atingirem 25%, 50% e 75% da meta.


    Cada vez que uma quantia for poupada, desenhe uma linha ilustrando quanto foi poupado. Diga à sua criança que ela receberá pequenas recompensas em cada ponto de verificação. Pequenas recompensas podem encorajar as crianças a continuar.


    Os recursos visuais também são úteis para ilustrar as metas de poupança dela e como o seu dinheiro está a crescer.

    5. Lidere dando o exemplo

    As crianças aprendem pelo exemplo, portanto, a melhor maneira de ensinar a sua criança a poupar dinheiro é poupando também. Tenha o seu próprio pote de dinheiro, no qual guardará dinheiro regularmente. Quando estiver a fazer compras, mostre à criança como discernir entre os vários preços e explique por que comprar um item faz mais sentido do que outro.

     

Os sete princípios para alcançar o bem-estar financeiro
 
  1. Comece a poupar dinheiro o mais cedo possível;
  2. Certifique-se de que tem um orçamento e de priorizar o planeamento financeiro e a gestão financeira;
  3. Comece a poupar para a sua reforma (para quando estiver muito idoso para trabalhar) o mais cedo possível;
  4. Procure assistência especializada de especialistas financeiros para ajudá-lo a desenvolver metas e objectivos para o seu futuro financeiro e um plano para como chegar lá;
  5. Decida como vai colocar o seu dinheiro de lado e fazê-lo crescer para que possa cumprir as metas que definiu para o seu future financeiro;
  6. Certifique-se de que aprende e que continua a aprender tudo o que puder sobre como poupar e investir dinheiro para o fazer crescer;
  7. Certifique-se que não gasta o seu fundo de pensão ou o dinheiro da reforma quando muda de emprego. Se algum dinheiro de investimentos lhe for pago, não mexa nele! Guarde-o ou invista imediatamente!
Está a controlar o seu dinheiro?

Avalie até que ponto está a controlar bem o seu dinheiro, respondendo às seguintes perguntas e anotando as áreas a melhorar.

  1. Sabe exactamente para onde o seu dinheiro está a ir?
  2. Identificou áreas a melhorar nas quais está a gastar demais?
  3. Priorizou os seus pagamentos? 
  4. Tem uma margem para gastos diários ou semanais?


Fraude bancária é o uso de meios potencialmente ilegais para obter dinheiro, bens ou outra propriedade pertencente ou mantida por uma instituição financeira, ou para obter dinheiro de depositantes fazendo-se passar fraudulentamente por um banco ou outra instituição financeira.

Em muitas casos, a fraude bancária é um crime. Enquanto os elementos específicos de determinadas leis de fraude bancária variam dependendo das jurisdições, o termo
fraude bancária aplica-se a acções que empregam um esquema ou artifício, diferente de em um assalto a banco ou furto.

Por esta razão, a fraude bancária é, às vezes, considerada um crime de colarinho branco (crime corporativo).

Mantenha o seu dinheiro seguro – saiba mais, abaixo, sobre os diferentes tipos de fraude e o que pode fazer em relação a isso.
 

  • Fraudes de cheques

    A fraude de cheques ocorre quando o criminoso usa um cheque roubado ou falsificado para pagar bens e serviços.
    Quando o verdadeiro dono do cheque descobre que o dinheiro foi roubado da sua conta, a vítima pode ser obrigada a reembolsar o valor total – mesmo que isto aconteça várias semanas depois.

    Como se proteger contra a fraude de cheques

    • Não aceite cheques de ninguém, a menos que conheça e confie na pessoa, especialmente quando se trata de um cheque de valor elevado;
    • Esteja ciente de que existe o risco de o dinheiro creditado na sua conta, a partir de um cheque, ser reclamado se o cheque for roubado ou falsificado;
    • Considere sempre outras formas de aceitar pagamentos por itens de valor elevado;
    • Mantenha o seu talão de cheques num lugar seguro;
    • Comunique imediatamente ao banco qualquer cheque perdido;
    • Verifique sempre os seus extractos bancários.
  • Fraudes de cartão

    Aqui vão alguns dos golpes mais comuns e como pode evitá-los.

    Fraude de cartão perdido e roubado

    Esta ocorre quando um cartão perdido ou roubado é usado por um criminoso que se faz passar por si. A maior parte das fraudes de cartão perdido e roubado ocorre antes de se comunicar a perda do mesmo.

    Para se proteger contra fraudes de cartões perdidos e roubados:

    • Comunique imediatamente qualquer cartão perdido ou roubado ligando para o banco assim que perceber que o seu cartão foi roubado;
    • Tenha consigo apenas os cartões de que precisa;
    • Evite colocar os cartões nos bolsos, de onde podem cair facilmente;
    • Certifique-se de que os seus cartões cabem perfeitamente dentro da sua carteira ou bolsa;
    • Tome precauções para evitar que o seu cartão seja roubado. Por exemplo, não abandone a sua carteira nem a transporte no bolso de trás.
     
    Skimming ou fraude de cartão falsificado

    Um cartão contrafeito pode ser um cartão falso ou válido que foi alterado ou recodificado. A maioria dos casos envolve skimming, quando os dados na fita magnética do seu cartão são copiados electronicamente para outro cartão sem o seu conhecimento.

    O skimming normalmente ocorre em lojas de venda a retalho, especialmente bares, restaurantes e postos de combustível, e em caixas electrónicas nas quais foi ilegalmente colocado um dispositivo de skimming.

    Os dados roubados são depois usados para criar cartões contrafeitos. A maioria das pessoas não sabe que foi vítima dessa fraude até receber os seus extractos.

    Se achar que uma ATM foi adulterada, entre em contacto com o banco o mais rápido possível.
     
    Para se proteger:
     
    • Não deixe que os funcionários da loja de venda a retalho levem o seu cartão para processar pagamentos. Certifique-se de que consegue vê-los a passarem o seu cartão e a inserirem o valor no terminal do Ponto de Venda (POS). Verifique se eles têm pagamento sem contacto para que o seu cartão nunca saia das suas mãos;
    • Inspeccione as ATM procurando sinais de adulteração antes de as usar. Se uma ATM parecer suspeita, vá a outra e contacte o seu banco.

    Fraude de cartão ausente

    Este é um tipo de fraude muito comum. Ocorre quando os criminosos roubam os detalhes do seu cartão e os usam para comprar coisas pela Internet ou por telefone, fax ou correio.

    Para se proteger de fraudes de cartão ausente:
     
    • Evite inserir os detalhes do seu cartão em computadores públicos ou partilhados;
    • Lembre-se sempre de sair de todas as páginas onde inseriu os detalhes do seu cartão;
    • Insira os detalhes do seu cartão apenas em páginas seguras (ou seja, aquelas cujo endereço da web começa com ‘https’ e têm um cadeado na janela do navegador);
    • Fique atento aos seus extractos e denuncie imediatamente quaisquer transacções fraudulentas.
     
    Roubo de identidade em cartões
     
    Este ocorre quando um criminoso usa a sua informação pessoal para abrir ou ter acesso à conta do cartão que está em seu nome. Existem dois tipos:
    • A fraude de aplicação/submissão acontece quando documentos de identificação roubados ou falsos são usados para abrir uma conta em seu nome;
    • O controlo da conta ocorre quando os criminosos usam as suas informações pessoais para se fazerem passar por si e convencer o seu banco a fazer pagamentos usando as suas contas, para pedir novos cartões, entre outros.
     
    Para se proteger contra o roubo de identidade em cartões:
     
    • Destrua ou queime contas, extractos bancários e outros documentos que contenham os seus dados pessoais antes de os deitar fora;
    • Se usa sites de redes sociais, exiba o mínimo possível de dados pessoais na sua página;
    • Informe o seu banco imediatamente se mudar de endereço.
  • Fraude online

    Aqui vão alguns dos tipos mais comuns de fraudes online e dicas sobre como evitá-las.

    Engenharia social

    Engenharia social é o acto de manipular as pessoas para que façam o que você deseja. Em termos de fraude online, um criminoso geralmente enganará as pessoas de forma a que elas revelem as suas senhas, detalhes de login ou outras informações confidenciais.

    Proteja-se da engenharia social da seguinte forma:

    • Não divulgue informações confidenciais por telefone, a menos que tenha a certeza absoluta da identidade de quem lhe ligou;
    • Nunca envie informações confidenciais por e-mail. Este pode ser facilmente interceptado por terceiros;
    • Mantenha o seu PIN sempre confidencial. O seu banco nunca lhe pedirá que o divulgue.
     
    Phishing

    Phishing é um processo usado por criminosos para tentar obter as suas informações confidenciais, enviando e-mails ou outros tipos de mensagens que o levam para páginas ou linhas telefónicas falsas. Estes e-mails ou mensagens dizem ser de uma empresa específica, portanto, muitas vezes parecem legítimos, mas estas mensagens são enviadas por criminosos, muitas vezes de forma aleatória.
    Qualquer informação que divulgar nestas páginas ou linhas telefónicas falsas é capturada pelos criminosos. Pode proteger-se tratando com suspeita quaisquer e-mails ou telefonemas não solicitados nos quais lhe peçam informações confidenciais. Em caso de dúvida sobre a validade de uma mensagem específica, entre em contacto com a empresa que supostamente enviou a mensagem para ter certeza de que é genuína.
     
    Cavalos de Tróia (Trojans)

    Um Cavalo de Tróia é um tipo de software malicioso instalado em qualquer dispositivo que tenha Internet (por exemplo, computador, smartphone) sem o seu conhecimento ou consentimento. Um criminoso envia-lhe um e-mail que tenta levá-lo a seguir um link de uma página, descarregar algo ou abrir um anexo.
    Os Cavalos de Tróia podem ser capazes de registar as suas senhas e outros detalhes pessoais captando as teclas que digita ou capturando imagens do écran das páginas que você visita. A melhor maneira de se proteger contra Cavalos de Tróia é instalar firewalls e software de segurança de Internet no seu computador e mantê-los actualizados.
  • Roubo de identidade

    O roubo de identidade ocorre quando os criminosos usam as suas informações pessoais sem o seu conhecimento ou consentimento para abrir contas bancárias, solicitar  cartões de crédito, empréstimos e documentos como passaportes e cartas de condução em seu nome. Devido ao roubo de identidade pode ter dificuldade em obter empréstimos, cartões de crédito ou hipotecas até que o problema seja resolvido.

    Aqui vão algumas maneiras de se proteger do roubo de identidade:

    Mantenha as suas informações pessoais seguras:

    • Considere levantar itens valiosos, como cartões de débito, cartões de crédito e talões de cheques directamente, em vez de os receber pelo correio;
    • Se mudar de casa, informe o seu banco o mais rápido possível para que possam alterar os seus registos no sistema, de forma a que todas as correspondências e extractos sejam enviados para o seu novo endereço;
    • Aprenda mais sobre como proteger a sua identidade online.
     
    Mantenha os seus cartões seguros:
     
    • Cancele imediatamente quaisquer cartões perdidos ou roubados telefonando para o banco assim que perceber que estes estão desaparecidos;
    • Proteja os seus dados ao comprar em lojas, online ou por telefone. Certifique-se de que outras pessoas não conseguem ouvir ou ver os detalhes do seu cartão ou informações pessoais;
    • Nunca leve consigo documentos ou cartões plásticos desnecessariamente.
     
    Mantenha os seus documentos seguros:
     
    • Guarde os seus documentos de identificação pessoal, como passaporte ou bilhete de identidade, em lugar seguro. Se algum dos seus documentos se perder ou for roubado, entre em contacto com a instituição emissora imediatamente;
    • Destrua os documentos de que não precisa, de preferência usando uma trituradora de corte cruzado ou queimando os documentos. Nunca deite fora contas inteiras, recibos, talões de cartão de crédito ou de débito, extractos bancários ou até mesmo correio indesejado em seu nome;
    • Verifique os seus extractos assim que chegarem. Se detectar alguma transacção desconhecida, entre em contacto com o banco imediatamente.

    Mantenha as suas senhas e os seus PINs seguros:

    • Nunca forneça detalhes pessoais ou da sua conta a ninguém que o contacte inesperadamente. Desconfie, mesmo que afirmem ser do banco ou da polícia. Saiba que o banco nunca solicitará o seu PIN ou um número de segurança inteiro ou senha;
    • Não use a mesma senha para mais de uma conta e nunca use senhas bancárias para outras páginas. O uso de senhas diferentes aumenta a segurança e reduz a probabilidade de alguém ter acesso a todas as suas contas;
    • Nunca grave ou guarde as suas senhas ou PINs de maneira que as deixe vulneráveis a roubo. Por exemplo, não as tenha na sua bolsa ou carteira;
      Desconfie de e-mails que pedem os seus dados pessoais. Se receber um e-mail suspeito que diz ser do banco, não clique nele antes de verificar a legitimidade com a instituição bancária;
    • Proteja a identidade dos seus entes queridos que já faleceram. Os criminosos às vezes usam a identidade de pessoas que morreram. Pode reduzir a chance de isso acontecer, informando o banco e cancelando e destruindo todos os seus documentos de identidade.
     
    Se suspeitar que foi vítima de fraude em alguma das suas contas, entre em contacto com o banco imediatamente. Ser vigilante e seguir estas práticas recomendadas garantirá que você será o único em controlo do seu dinheiro.
 O que é AML e por que é importante?


O combate ao branqueamento de capitais (Anti-money laundering – AML), ou à lavagem de dinheiro, refere-se a um conjunto de leis, regulamentos e procedimentos destinados a impedir que criminosos disfarcem os fundos obtidos ilegalmente como rendimentos legítimos. Por exemplo, os regulamentos de AML exigem que os bancos e outras instituições financeiras que emitem crédito ou permitem que os Clientes abram contas bancárias sigam regras para garantir que não estejam a ajudar na ‘lavagem de dinheiro’.

  • Lavagem de Dinheiro?

    Resumindo, o branqueamento de capitais (ou lavagem de dinheiro) é a prática de movimentar grandes somas de dinheiro através de canais legítimos, com o propósito de ocultar a sua origem ou evitar o conhecimento do dinheiro em questão.

    O branqueamento de capitais é uma actividade comum usada por membros do crime organizado, tais como traficantes e mafiosos.

    Se alguém ganha milhares de Meticais acumulando pequenos trocos por semana com o seu negócio ilegítimo e deseja depositar esse dinheiro num banco, não o pode fazer sem levantar suspeitas.

    Você sabia?

    O branqueamento de capitais (lavagem de dinheiro) é praticamente tão antigo quanto o crime organizado. O termo “lavagem” remete à prática da máfia na década de 1920 de movimentar dinheiro através de lavandarias, que serviam como fachadas para os seus negócios criminosos. Este também faz referência ao processo de transformar o dinheiro “sujo” em “limpo”.

    Um método de branqueamento de capitais é entregá-lo a um intermediário que já esteja a receber grandes somas de dinheiro. O intermediário depois pode depositar o dinheiro na sua conta e emitir um cheque para o indivíduo que dirige o negócio ilegítimo após receber uma comissão.

    Assim, o indivíduo não chama a atenção para si mesmo e pode depositar o seu cheque numa conta bancária sem levantar suspeitas.

    Os responsáveis pela conformidade contra o branqueamento de capitais são frequentemente nomeados para supervisionar as políticas de combate ao branqueamento de capitais e garantir que os bancos e outras instituições financeiras sigam essas leis em vigor.

    As leis e regulamentos de combate ao branqueamento de capitais têm como alvo as actividades criminosas, incluindo a manipulação de mercado, comércio de bens ilegais, corrupção de fundos públicos e evasão fiscal, bem como os métodos usados para ocultar esses crimes e o dinheiro deles derivado.

    Você sabia?

    Diz-se que o termo “lavagem de dinheiro” evoluiu desde a era da Lei Seca nos Estados Unidos. Foram inventados muitos métodos para disfarçar as origens do dinheiro gerado pela venda de bebidas alcoólicas que eram ilegais naquela altura. Um desses métodos era, curiosamente, o jogo legal em máquinas caçaníqueis – uma maneira de transformar com eficiência volumes gigantescos de moedas em dinheiro facilmente móvel.

  • Como posso ajudar a prevenir o branqueamento de capitais?

    Na maioria dos países, cabe às instituições financeiras monitorizar os depósitos dos seus Clientes e outras transacções para garantir que eles não façam parte de um esquema de branqueamento de capitais.

    Por este motivo, os depósitos de mais de um certo valor em qualquer conta bancária em Moçambique devem ser declarados, ou seja, a pessoa que deposita o dinheiro tem de dizer ao banco onde o obteve. Não porque o banco se esteja a intrometer, mas porque se não o fizer significa que o banco não está a cumprir e pode ser responsabilizado por não comunicar activamente um possível acto de branqueamento de capitais; e isso implica multas pesadas, acções judiciais e até mesmo a perda da licença para o banco – e ninguém quer isso!

    Através de sistemas automatizados avançados, alguns bancos são capazes de detectar actividades suspeitas nas contas bancárias; e se, após uma investigação
    mais aprofundada, se revelar que a actividade é ilegal, o incidente é comunicado à Unidade de Investigação Financeira, que depois realiza a sua própria investigação.

    Pela definição mais rigorosa do termo, qualquer pessoa que ajude um criminoso a ocultar o rendimento dos seus crimes é considerada branqueadora de dinheiro. Todos os
    dias, pessoas inocentes são envolvidas involuntariamente na lavagem de dinheiro e ainda podem ser criminalmente responsáveis em muitos países, apesar da sua falta de
    conhecimento.

    Portanto, é importante declarar sempre a sua fonte de rendimento ao banco (quando aplicável) e não hesitar em comunicar às autoridades competentes quaisquer
    transacções de dinheiro suspeitas ou actividades relacionadas. Você pode até ajudar a prevenir um acto malicioso de Branqueamento de Capitais.

     

O que é KYC e por que os bancos precisam de verificar a identidade do Cliente?


KYC significa Know Your Customer (Conheça o Seu Cliente). KYC ou a verificação KYC é o processo obrigatório de identificação e verificação da identidade do Cliente, processo feito ao abrir uma conta e periodicamente ao longo do tempo.

Por outras palavras, os bancos devem certificar-se de que os Clientes são genuinamente quem afirmam ser. Os bancos podem recusar-se a abrir uma conta ou a interromper uma relação comercial se o Cliente não cumprir os requisitos mínimos de KYC.

  • Por que o processo KYC é importante?

    Os procedimentos KYC definidos pelos bancos envolvem todas as acções necessárias para garantir que os seus Clientes são reais, bem como avaliar e monitorar os riscos. Estes processos ajudam a prevenir e a identificar branqueamentos  e capitais, financiamento do terrorismo e outros esquemas ilegais de corrupção.

    O processo KYC inclui verificação do bilhete de identidade, verificação de documentos, como contas de serviços públicos, como comprovativos de residência e, mais recentemente, a verificação biométrica.

    Os bancos devem cumprir os regulamentos de KYC e os regulamentos contra o branqueamento de capitais para limitar a fraude, e toda a responsabilidade de conformidade com a verificação KYC é dos bancos.

    Se um banco não cumprir os requisitos da KYC, poderá sofrer multas pesadas e danos à reputação.

    Hoje, a KYC é um elemento significativo na luta contra o crime financeiro e branqueamento de capitais, e a identificação do Cliente é o aspecto mais crítico nisso.

    Manter o seu banco informado sobre quaisquer alterações no número do seu celular e endereço de e-mail permitirá
    que eles entrem em contacto consigo ou que o informem sobre quaisquer novos serviços em oferta, quaisquer alterações ou qualquer momento em que os serviços estarão em baixo.

Epílogo


Todos nós reconhecemos a importância de saber gerir bem as nossas finanças pessoais e, muitas vezes, deparamo-nos com decisões importantes de investimento ou financiamento para as quais gostaríamos de estar mais bem preparados.

Uma má decisão financeira pode, sem dúvida, afectar as nossas vidas de forma séria e prolongada. É, por isso, essencial entender as questões financeiras básicas e como os bancos funcionam para que possamos tomar decisões bem informadas e que protejam o nosso futuro. Assim como a prática do futebol ou outros desportos colectivos promove o trabalho em equipa, como a música potencia a criatividade e como as artes marciais estimulam a autodisciplina e a resistência, a educação financeira, inevitavelmente, leva a hábitos financeiros saudáveis.

 

Todos deveríamos aprender o valor do dinheiro e da poupança desde cedo. E, se não o fez, não se preocupe!

Criámos este Manual de Educação Financeira precisamente com esse objectivo e esperamos que depois de o ter lido concorde que nunca é tarde para começar. Aliás, estamos esperançados que o irá partilhar e transmitir este conhecimento à sua família e amigos. O Absa continuará comprometido na divulgação do conhecimento e inclusão financeira, na expectativa que esta iniciativa se mostre eficaz e possa ter continuidade. Todos juntos, por um sistema financeiro moçambicano mais resiliente e inclusivo!

Dando vida às suas possibilidades.

Rui Barros
Administrador Delegado
Absa Bank Moçambique